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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

RATO-PRETO


No dia 07 de setembro, em todas as cidades do país, o Dia da Pátria foi comemorado com muita festa e alegria. Em Itaitinga deveria ter sido assim também, não fosse o ódio que paira no ar, trazido de longe por um ex-gestor, inconformado com a derrota nas últimas eleições para prefeito.

Um ser alienígena, presente no palco das festividades do dia da pátria, disse que Itaitinga está cheia de RATOS DE ESGOTO. Claro que ele deve ter dito isso olhando para os que estavam perto dele, no próprio palco. Ou estaria se referindo à oposição? Ou, de forma insensata se referia ao povo?

Meio inculto como sou, fui ao dicionário, AULETE DIGITAL, o Caldas Aulete é referência na língua portuguesa, e procurei ver o significado dos vocábulos RATO e de ESGOTO, para poder entender o que o indivíduo quis dizer à respeito dos seus pares.
Vejamos o que diz o “pai dos burros”:

RATO
(ra.to)
sm.
1. Zool. Nome comum dado ao animal roedor da família dos murídeos, especialmente aos que pertencem ao gênero Rattus, encontrados em todas as partes do mundo, e dos quais são muito conhecidos o rato-preto e a ratazana. [Coletivo: ratada, rataria.]
2. Ladrão, gatuno.
3. Fig. Trapaceiro, tratante.
Então, eu entendi, o rato-preto (Rattus rattus), é um mamífero da família dos murídeos. No entanto, a palavra RATO também pode ser usada como sinônimo de TRATANTE, TRAPACEIRO, LADRÃO ou GATUNO. Simplificando, o coitado do rato-preto também é ladrão e trapaceiro.
Mas e esgoto? Por que RATO DE ESGOTO? O mesmo dicionário define a palavra ESGOTO. Vejamos:

ESGOTO
(es.go.to) [ô]
sm.
1. Ação ou resultado de esgotar(-se), o mesmo que esgotamento.
2. Sistema de tubulação subterrâneo através do qual escorrem os dejetos de uma casa, rua, bairro ou cidade e a água das chuvas.
3. Cano destinado a dar vazão a líquidos.
[F.: Dev. de esgotar.]

Como vimos o dicionário nos trás três definições. Complicou. Fico com a primeira, é mais simples. Então juntando RATO + DE + ESGOTO, concluo que se trata de um rato preto que esgotou-se. Mas, esgotou-se de que??? É esgotar no sentido de cansar? Cansado? Só se voltarmos ao dicionário para concluirmos que pode ter se cansado de trapacear. Será?

Pela foto, encontrada no Google, vejo que o chamado rato-preto, é mais conhecido aqui no Nordeste como GABIRU. Aliás, segundo o WIKIPEDIA, Gabiru em gíria também pode significar indivíduo desajeitado ou ainda finório, patife ou velhaco. Vejam o tamanho das orelhas dele. No palco havia algum orelhudo assim?

Gente, o dicionário não me ajudou muito. Estou mais confuso do que antes. Vou continuar pensando em RATO DE ESGOTO e ver se trago novas informações, para esta pérola atirada do palco por um forasteiro, em pleno dia da pátria.

DIA DA PÁTRIA??? Eureca!!! A solução pode estar aí. Um rato-preto, ladrão e trapaceiro, travestido de patriota, um verdadeiro patrício de todos nós. Patrício nosso não! O dicionário diz que o rato-preto tem origem na Ásia e em navios de carga espalhou-se, estando presente em todo o mundo. Desisto quem tiver uma pista que me ajude.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Resíduos Sólidos (Lixo)


Desde 2006, por força do PLANO DE GERENCIAMENTO INTEGRAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS – PGIRSU, obrigação imposta pela Lei 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos), o lixo de Itaitinga vem sendo depositado no Aterro Sanitário de Pacatuba, através de convênio firmado pelas duas prefeituras, quando eu era o Secretário do Meio Ambiente - Semam. À época foi desativado o lixão à céu aberto, então existente no Gereraú, cujo terreno ainda já foi plenamente recuperado pela minha equipe da Semam.

Neste ano de 2011, já fora da Semam, houve uma paralisação dos trabalhadores na limpeza urbana (empresa terceirizada), que alegavam não receber seus salários há três meses. Conversando com eles descobrimos que a conta do aterro sanitário não era paga, pela gestão Abdias Patrício, há mais tempo, e a Prefeitura de Pacatuba não recebia mais os resíduos sólidos de Itaitinga. Fomos averiguar e descobrimos que nosso lixo urbano estava sendo depositado novamente em um terreno localizado entre os bairros do Gereraú e do Ancuri onde foi devastada uma grande área (cerca de 10 ha) de mata nativa primária, com exemplares centenários e muitas carnaubeiras, árvore símbolo do Ceará e imune ao corte por legislação estadual (Decreto n.º 27.413, de 30 de março de 2004).

O novo lixão a céu aberto, expõe à riscos incalculáveis a saúde dos habitantes das duas localidades, e muito mais, porque, bem próximo há um riacho que pode, por contaminação de suas águas, ser portador de enfermidades graves para localidades mais distantes. A derrubada da mata, a colocação do lixo em local e de maneira inapropriada, a contaminação do solo, de recurso hídrico, da atmosfera e do lençol freático, são crimes ambientais graves, previstos na Lei 9.605. Há ainda a necessidade urgente de se saber onde está sendo colocado o lixo hospitalar.

Em 2013, com a gestão Abel Cercelino Rangel Junior, volto à Semam. Refizemos o convênio com a Prefeitura de Pacatuba e iniciamos o trabalho de limpeza do terreno. Mas, em abril de 2014, o ex-prefeito Abdias Patrício, volta a atacar, colocando na prefeitura, por determinação judicial seu candidato a prefeito que perdera a eleição. Novo rompimento do convênio com a Prefeitura de Pacatuba e a recolocação do lixo na mesma área anterior, formando novo lixão a céu aberto.

Em todas as oportunidades em que eles cometeram tal crime ambiental, o fato foi comunicado ao Ministério Público que nunca puniu ninguém. Até quando?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O verde de Itaitinga

Lá pelos idos da década de 90, quando cheguei em Itaitinga, eu a podia chamar – e chamava – de cidade jardim, pois tínhamos sítios com plantas, árvores, frutas, pássaros nos quintais, com casarões no típico estilo nordestino, rodeado de varandas, convidativas para uma rede, na brisa amena da tarde.

A maioria de nossas ruas era com piso de areia, ou piçarra, somente as mais importantes tinham pavimentação em pedras toscas. Aliás, a pedra tosca estava presente até mesmo no logradouro mais importante, a então chamada Praça da Matriz, hoje Praça Maria Vidal de Sá Branco.

Percebe-se, por esta descrição inicial, que vim morar em um lugar bucólico, no bairro da Ponta da Serra, bem ao sopé da Serra de Itaitinga, lugar de clima agradável, onde de maio a julho, chegava a fazer frio nas madrugadas silenciosas. Eu a considerava um exemplo de cidade boa de viver, com excelente qualidade de vida.

Para cá eu trouxe, há vinte e dois anos, minha família, mulher e um filho. Depois, aqui, nasceu minha filha, já com dezenove anos. E, passados estes vinte e dois anos, o que vemos hoje na cidade? Uma cidade destruída e destruidora. Casas pequenas, apertadas, onde famílias vivem espremidas e espremendo seus magros orçamentos para pagarem a prestação da Caixa Econômica. Algumas casinhas pouco maiores, alguns sobradinhos simpáticos de pessoas com melhor renda. Casas mais antigas, dos primeiros moradores da urbe, vão abaixo, sem piedade, eliminando nossa memória, devido à sanha assassina e desenfreada do lucro pelo lucro em si, que domina a alma de alguns poucos construtores de plantão.

Quando aqui cheguei e subi a serra, não se avistava a cidade e seus telhados, todos encobertos por densa vegetação e pelas copas frondosas de grandes árvores. Hoje, subo a serra e avisto a cidade toda, a igreja, o Mercado Central, muitas casas e já não vejo tantas árvores. Até a serra está sendo destruída pelas pedreiras. E para onde vão os pássaros, os macaquinhos, as raposas, os veados, os tamanduás, pebas, cobras, e tantos outros animais, antes tão comuns? Eliminados, fazendo parte das estatísticas e das listas de animais em extinção.

Para que se preocupar com meio ambiente, não é mesmo? Isso é coisa sem importância nenhuma, dizem alguns, o progresso é assim. Já outros, mais conscientes e amantes da nossa Itaitinga, pensam o contrário. Eis aí a nossa Itaitinga: despojada de suas belezas naturais, com o sol parecendo estar cada vez mais quente nas costas de todos, a temperatura em elevação constante, estiagens cada vez mais prolongadas, trânsito no centro começando a ocasionar congestionamentos, qualidade de vida zero, insegurança para todos e, sem árvores.

O principal motivo deste meu desabafo é na realidade a árvore, nossas matas nativas. São muitas, diuturnamente tombadas pela ação das inúmeras motosserras clandestinas, sem licença ou fiscalização, trabalhando às escondidas, quase sempre aos domingos e feriados. Afinal, tem que ser escondido Vejo isso diariamente em ruas da cidade, em quintais, nas calçadas em frente às casas, ou até em praças, como na Luiz Gonzaga, onde uma construtora venceu uma licitação para reforma, e à pretexto de reformar derrubou incontáveis árvores de nossa outrora mais arborizada praça da cidade. E eram árvores antigas. Antigas, como um oitizeiro (Moquilea tomenthosa) e algumas até mesmo raras, como duas popularmente conhecidas como “mata fome” (Pithecelobium dulce).as únicas existentes no município!
Pergunto-me sempre, qual é a razão de tamanho desatino? Questiono-me. Ou será para não ter que limpar as calçadas que as árvores sujam com suas folhas e flores? Ou será que as pobres árvores estão mesmo morrendo por si? Porém aí pergunto, e onde estão as árvores novas, que não são plantadas imediatamente? Quando deixei a Secretaria de Meio Ambiente, pasta que ocupei de 2005 a 2008 deixei um horto municipal com cerca de cem mil mudas, prontas para o plantio. Mataram todas por falta de regas. Hoje, ao reassumir a mesma secretaria nada encontrei no horto. Nestes onze meses de governo já temos um horto com cerca de cinco mil árvores.

O fato é que derrubam árvores aqui por mil e um motivos. Porque sujam a calçada, para aumentar o estacionamento, como em frente a uma farmácia, porque se engancham nos fios da Coelce, porque pode cair sobre a casa e muito mais. Certamente, o amor pelas plantas ficou no passado.

Penso em outras cidades: João Pessoa, Natal e chego a suspirar com tanto verde. São Paulo, tão cosmopolita, que eliminou o verde, substituindo-o pelo concreto, mas que repentinamente se deu conta e construiu parques suntuosos, fenomenais e muitas árvores para a população ter sombra, ar puro e lazer. Rio de Janeiro, com inúmeros parques e a Floresta da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo. Estou comparando mal ao comparar nossa pequenina Itaitinga com cidades grandes? Vejam o verde da pequena e simpática Pacatuba, no Ceará mesmo. Ainda por aqui, vejam Meruoca, São Benedito, Ubajara e seu Parque Nacional, Pacoti, Redenção e tantas outras.

É hora de acordarmos! Temos que mudar muito a nossa cidade, mudar muito a consciência ecológica de nossa população, ao invés de simplesmente derrubarmos nosso patrimônio arbóreo.

Plantar, plantar sempre!

sábado, 13 de julho de 2013

Nosso sistema prisional


Por força da minha participação no Conselho da Comunidade da Comarca de Itaitinga, onde estou presidente, tenho visitado com muita frequência os presídios, as casas de privação provisória de liberdade, nem sempre tão provisórias assim, e tenho saído destes lugares sempre muito revoltado.

Os presos são amontoados em celas sujas e fétidas, que nem de longe, lembram os gabinetes do congresso nacional. Ali, naquelas celas, deveriam estar deputados, senadores, ministros, prefeitos e governadores, além de juízes que vendem sentenças, os que são obrigados a se aposentar antes do tempo, quando deveriam ser presos, em claro exemplo de corporativismo.

Se fosse nominar os bandidos famosos deste país, não haveria aqui o devido espaço. Citarei mortos e vivos, porque pude concluir que mesmo os mortos, são mais vivos que muito bandido que se julga esperto. Paulo Maluf, o juiz Lalau, Toím Malvadeza, vulgo Antônio Carlos Magalhães, o ACM, bandido de muitos nomes. José Sarney e sua dileta filha Roseane, seguindo os passos tortos do pai. Agripino Maia, Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves, e tantos, tantos outros, que em um só vôo da FAB – Força Aérea Brasileira, não caberiam todos.

E, todos eles levam vida boa, são ricos, nunca passaram à porta dos nossos presídios, com medo de lá ficarem. Corruptos, ladrões do patrimônio público, vivem felizes, na certeza da impunidade que eles mesmos legalizam, em leis espúrias que votam na calada das madrugadas frias do planalto central.

A população carcerária de Itaitinga é de aproximadamente seis mil pessoas, o que leva nosso país a ostentar a 4ª colocação no ranking da maior população carcerária do mundo. Perdemos apenas para os EUA, a China e a Rússia. E, muita gente questiona que as cidades continuam inseguras, mesmo com a bandidagem presa. Não querem acreditar que os piores, estão soltos, bem votados e cheios de imunidades.

Nas mídias sociais, muita gente sem ter o que fazer, fica inventando boatos, os menos inteligentes apenas passam os boatos adiante, dando conta de que o país criou o Bolsa Programa, dois mil reais para ajudar as prostitutas, as garotas de programa, e o Bolsa Detento, com dois mil reais para cada filho de preso. Muita gente acredita e nem questiona.

Aliás fica difícil questionar, quando o nível cultural é baixo e se acredita piamente no que se ouve/vê na televisão; programas como o Cidade Alerta, apresentado por Marcelo Resende ou o outro com o Datena, e muitos outros similares que se confundem, mostram ao povo uma violência crescente, contra a qual o estado nada pode fazer. Isso leva muitos a contratarem, quando podem, empresas de segurança particular, um mercado que vem crescendo assustadoramente.

Os programas fazem campanha para a redução da idade penal, apontando adolescentes como os maiores criminosos do país. Mas não dizem que apenas 1% dos homicídios do Brasil são cometidos por eles.

E o país está preso. Pobres na cadeia e a classe média, presa diante da TV, assustada com a onda de violência apregoada. A velha classe dominante continua solta, dando as cartas, locupletando-se com o dinheiro público. Sei que a maioria das pessoas não têm condições de visitar um presídio. Mas visite a delegacia de sua cidade. Veja as pessoas que estão presas ali. A classe social está estampada nas fisionomias. Visite o Fórum. No burburinho do entra e sai de pessoas reparem nas fisionomias dos bem trajados, ternos, vestidos longos, e dos que são conduzidos algemados. Classes sociais explícitas no figurino.

Andem atentos às margens de um rodovia qualquer. Nos postos de combustíveis, borracharias, restaurantes, onde passamos todos os dias, veremos, se abrirmos os olhos, meninas, ainda crianças, sendo estupradas (estupro presumido), em troca de um prato de comida ou de míseras moedas que levarão para casa. Meninos perdem a infância e a escola, para iniciarem o trabalho mais cedo e ajudarem a família. Quando se rebelam e quebram tudo, são vândalos, quando empunham uma arma e vão buscar o que já perderam, são bandidos. Em ambos os casos, a solução é escondê-los nas cadeias e presídios.

Um país com educação e que seja de oportunidades iguais para todos, inclusive nos presídios, é o que precisamos para a felicidade geral da nação.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A ética dos nossos prefeitos


Sebastião Cavalcante/PSDB, o primeiro prefeito da recém emancipada Itaitinga, foi eleito em outubro de 1992, tomou posse em janeiro de 1993 e governou até dezembro de 1996. Ao deixar o governo para seu sucessor Lourival Tavares, Sebastião dedicou-se às suas empresas evitando aparecer em público em momentos políticos, não interferindo na gestão do seu sucessor.

O empresário Lourival Tavares/PSDB, governou de 1997 a 2000, sendo reeleito para novo mandato de 2001 a 2004, porém deixou o governo no início de 2004, e o seu vice Mauro Cavalcante assumiu até o final do ano e do mandato. Neste período, o Hospital Municipal Ester Cavalcante Assunção - HMECA ganhou um importante prêmio da Secretaria Estadual de Saúde do Ceará, o prêmio HOSPITAL AMIGO DO PEITO, por ter incentivado a amamentação infantil obtendo excelentes resultados. O prêmio foi atribuído no final do ano de 2004, porém sua entrega ficou para 2005, em outra gestão.

Em 2005 assumiu o governo municipal o juiz federal aposentado (antes do tempo) Abdias Patrício Oliveira/PRB, que inclusive nomeou-me em janeiro para a então coordenação, depois Secretaria do Meio Ambiente. Lembro-me perfeitamente do enorme constrangimento que passei no HMECA, quando os representantes do estado vieram entregar o prêmio HOSPITAL AMIGO DO PEITO e inaugurar a placa alusiva ao fato. Apesar de estar presente no local a enfermeira Fernanda, maior articuladora da campanha de amamentação e maior responsável pela conquista do prêmio, Abdias Patrício recebeu o prêmio como se o êxito da campanha em Itaitinga tivesse sido trabalho dele, ou como se ele mesmo tivesse amamentado, pessoalmente, nossas crianças. Discursou, gargalhou, chorou de emoção, em gestos teatrais, meticulosamente ensaiados em casa. Eu, que nada tinha a ver com aquilo, morri de vergonha, sem saber onde enfiar a cara. Mas ali, com apenas um mês de governo, começávamos a ter uma noção do que estaria para vir.

Abdias Patrício governou até 2008, trocou de partido e reelegeu-se pelo PSB, para o período 2009 a 2012. Foi uma gestão pífia, com a interferência nociva de sua família, com quem dividiu o poder.

Em 2013, o povo mostrou que queria mudar e elegeu Abel Rangel/PPL, já então com três mandatos de vereador e um de vice-prefeito, na última gestão de Abdias Patrício, com quem rompeu. Abel assume o governo encontrando um município destroçado pela operação desmonte, com dívidas quase impagáveis. E eis que hoje, 14 de junho, o governador do estado anunciou que estaria em Itaitinga, no Parque D. Pedro, para assinar uma ordem de serviço para asfalto de diversas ruas daquele bairro abandonado e esquecido pela gestão Abdias Patrício.

Foi fácil para Abdias Patrício, do mesmo partido do governador, subir ao palanque e até discursar, como se ainda fosse o prefeito do município. Para quem entrou mal, usurpando o prêmio HOSPITAL AMIGO DO PEITO, não é surpresa sair mal usurpando as conquistas do prefeito Abel Rangel para o Parque Dom Pedro.

Vai para casa, Abdias, tenta fingir que ainda lhe resta um pouquinho de ética e decência!


FOTO: Da esquerda para a direita Alonso Bessa, chefe de gabinete; o prefeito Abel Rangel, o Secretario de Estado da Copa Ferrucio Feitosa e a vice-prefeita Erivanda Nogueira.

Eleição de diretores


O Estado do Ceará assistiu envergonhado o processo eleitoral para a escolha de diretores das suas escolas de ensino médio. Podem ser candidatos os professores que possam comprovar seis anos em sala de aula e curso de gestão escolar. Podem votar os professores, funcionários, alunos e pais de alunos.

Em alguns municípios, diretoras que concorriam à reeleição, usaram a máquina em suas mãos, para derrubar outros candidatos, cassando-lhes os registros. Em outros, vereadores, ex-prefeitos, secretários de educação, apoiaram ostensivamente a diretora, candidata à reeleição, para cobrar-lhe depois apoio em futuras eleições municipais.

Muitos candidatos à vaga de diretor, homens e mulheres com cursos de pedagogia e gestão escolar, com mais de seis anos de prática em sala de aula, repentinamente, esqueceram princípios éticos e foram para as ruas COMPRAR VOTOS de seus alunos, de seus familiares, de colegas professores. A que ponto chegou este país! Os mestres de nossos filhos lhes ensinam a prática da compra de votos em eleições. A lei do vale tudo.

Um momento que deveria servir na escola, para que se lhes ensinasse o valor da democracia, ensinam-lhes a praticar o crime, um crime contra a democracia, contra princípios morais, que poderiam ensinar em qualquer lugar, menos na escola.

Repressão no Brasil assusta aqui e no exterior


Em praticamente todo o país, jovens e idosos, cidadãos de forma geral, estão protestando contra o aumento de tarifas de ônibus e metrô.

A situação é mais séria em São Paulo e no Rio de Janeiro. Será que o motivo PE apenas a redução das passagens, ou há mais coisas, há muito reprimida no peito de cidadãos trabalhadores? Nossos governos, em todos os níveis, municipal, estadual e federal, nada têm feito em relação à políticas de mobilidade urbana. Acabaram de acontecer em todo o país, as Conferências Municipais das Cidades. Estão sendo preparadas as Conferências Regionais das Cidades. Virão ainda as conferências estadual e nacional das cidades. E o que se vê em todas as que já acocnteceram? O clamor popular pela mobilidade urbana, que os governos não ouvem.

A voz do povo nas conferências é soberana. Os governantes precisam atender o que vem sendo apresentado nas CONFERÊNCIAS DAS CIDADES. Nossos governos hoje, correm com obras de mobilidade urbana para atender turistas nas copas das confederações e na copa FIFA. E depois? Teme-se que tudo volte a ser o que era antes.
O povo tem o direito de se organizar pacificamente para protestar, como uma forma de cobrar mudanças de atitudes de nossos governantes. É lamentável ver nos telejornais, as cenas que acontecem nos protestos do Rio de Janeiro e de São Paulo, e que precisam ter um fim.

O direito à manifestação pacífica é um direito constitucional, é instrumento da democracia, é direito de todos. As cenas que hoje assistimos, me fazem lembrar os piores momentos da repressão da ditadura militar.

Os governantes precisam lembrar, ou serem lembrados que cassetetes, balas de borracha, bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo, tanques, “brucutus” e cavalaria, com muitas prisões, torturas e mortes, foram incapazes de calar o inconformismo e o desejo de mudanças de todo um povo que hoje recomeça a se organizar.

Protestos de apoio ao que acontece aqui no Brasil estão sendo feitos em Dublin, Lisboa, Paris e Berlim. Tal como na ditadura, gritos de apoio se fazem ouvir no exterior. Nossos protestos não podem parar!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A violência e a redução da idade penal


Está certo que o Brasil possui a terceira maior taxa de homicídios da América do Sul, atrás apenas da Venezuela e da Colômbia, segundo um estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes. Em números absolutos, no entanto, o Brasil, com a maior população do continente, amarga o primeiro lugar no ranking não só da América do Sul, mas do mundo inteiro. Foram 43.909 pessoas mortas intencionalmente em um ano, enquanto na Colômbia foram 15.459, e, na Venezuela, 13.985.

Mas algumas pessoas, por causa disso, andarem pedindo a redução da idade penal com prisão para adolescentes é um grande absurdo. Por que? Ora, porque é uma vergonha o fato de sermos classificados junto com El Salvador, primeiro lugar do ranking de jovens assassinados, com 105,6 mortes violentas em cada grupo de 100 mil jovens. Em seguida vêm as Ilhas Virgens (86,2), a Venezuela (80,4), Colômbia (66,1) e Guatemala (60,6).

No país, 32 jovens de até 19 anos são assassinados todos os dias. Além disso, 75% dos jovens vítimas de mortes violentas são negros e do sexo masculino. Só em 2010, mais de 45.850 jovens foram mortos por causas violentas. Enquanto a média de homicídios no país é de quase 26 assassinatos por 100 mil habitantes, entre garotos de 17 a 19 anos a taxa chega a 59.

As informações mais atuais, retiradas do Mapa da Violência, feito com base nas certidões de óbito de todo o país, mostram ainda que o índice se torna alarmante a partir dos 14 anos, faixa etária em que morrem 9,4 meninos entre 100 mil — quase alcançando a taxa de 10 assassinatos por 100 mil habitantes, marca para a Organização Mundial da Saúde classificar a situação como uma epidemia de violência.

Concluo que é grande a taxa de homicídios no Brasil, mas ela não é causada por jovens. Pelo contrário, eles são as vítimas desta estatística. O jovem homicida, ainda na adolescência, não chega a causar 10% dos homicídios apontados no mapa da violência.

Vemos hoje, jovens pobres serem presos portando uma pequena quantidade de maconha, enquanto jovens ricos (vide o filho de Ciro Gomes) serem liberados pela polícia, no momento de um grave acidente, alcoolizado e com grande quantidade de maconha em seu carro. Cadeia para pobres e o “tudo pode” para os ricos.

O promotor da Vara da Infância e Adolescência de Curitiba, Mário Luiz Ramidoff, afirma que "o que querem fazer com a redução da maioridade penal é uma vingança pública com uma classe social empobrecida, porque essa discussão é, na verdade, uma luta de classes. Um garoto da classe A não vai parar na cadeia, assim como acontece com os adultos". Ele diz que o resultado desse tipo de pesquisa é motivado pela situação atual de violência em que vive o país. "As pessoas vivem sob uma constante sensação de impunidade, o que faz com que elas procurem saídas fáceis para a situação", opina.

O combate a violência é um trabalho que exige, acima de tudo, grande persistência, procurando-se ampliá-lo cada vez mais. Somente assim poderemos superar tão lamentáveis dados estatísticos, que vêm comprometendo a segurança pública, situação que coloca em risco a vida de milhares e milhares de brasileiros.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Traição e corrupção na inconfidência mineira


O primeiro movimento de brasileiros para conquistar a Independência de Portugal nasceu na cidade de Vila Rica (hoje Outro Preto, MG). Desde 1740, a Coroa portuguesa vinha cobrando um imposto de 100 arrobas (1,5 tonelada) de ouro por ano de Minas Gerais. No início de 1789, o governador do Estado, visconde de Barbacena, anunciou a derrama, que permitia a cobrança das 100 arrobas de ouro ainda que a Colônia não atingisse esse patamar. Portugal precisava do ouro para pagar suas dívidas com a Inglaterra.

Foi esse o momento escolhido pelos líderes da Inconfidência Mineira para a eclosão de uma grande revolta. Quem conduzia toda esta liderança era o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Alferes era um oficial do exército português a serviço da coroa.

Fica muito claro que o alferes Tiradentes estava armando um golpe contra a coroa, a quem ele tinha a obrigação de defender. Mas o plano fracassou porque um de seus integrantes, Joaquim Silvério dos Reis, era um coronel do Exército português, infiltrado no movimento, e fiel à coroa e às suas obrigações militares, denunciou os traidores. Este sim, o verdadeiro herói.

Tiradentes, por traição à coroa, foi preso quando estava em viagem para o Rio de Janeiro. Onze conspiradores foram condenados à forca, Tiradentes foi o único cuja sentença se confirmou. Os outros (fazendeiros, mineiros e sacerdotes) acabaram expulsos do país e tiveram seus bens confiscados. Vê-se que já naquele tempo a corda arrebentava do lado mais fraco. Enforcava-se um alferes, não um padre, um fazendeiro, um mineiro.

O poeta Tomás Antônio Gonzaga, foi outro inconfidente. Trabalhava como ouvidor em Vila Rica. O cargo de ouvidor era o segundo mais importante, abaixo apenas do governador. E ele abusou de sua autoridade. Vejam como a corrupção é antiga. Ele manteve preso, sem julgamento, um de seus inimigos por quatro anos. Dispensou a licitação para obras na cadeia e utilizou para o serviço a mão de obra dos presos e deve ter embolsado a grana que seria da empresa construtora, a Delta da época. Fraudou um balancete da Câmara Municipal para proteger o seu presidente, o também inconfidente Cláudio Manuel da Costa, portanto outro corrupto. Promoveu ainda um festival de distribuição de propriedades rurais, como mais recentemente FHC fez com concessões de rádios FM. Com o fracasso do movimento, foi enviado para a África. E vejam: Lá virou juiz interino da alfândega de Moçambique e aceitava suborno para facilitar o tráfico de escravos. Depois de morto, Gonzaga foi enterrado lá mesmo, em Moçambique. No túmulo dele, em Ouro Preto - MG estão apenas os ossos de seu neto.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

João Cândido, o Almirante Negro



O descumprimento da lei pelas nossas elites, não é novidade no país. Eles sempre fizeram as leis para serem cumpridas pelos mais pobres e desassistidos.

O marechal e presidente Deodoro da Fonseca, assinou o decreto n.º 3, de 16/11/1889, um dia após o golpe que instituiu a república, e neste decreto ele proibia castigos físicos a soldados e marinheiros, e ficava proibida expressamente o uso da chibata.

Mas até 1910, o decreto vinha sendo descumprido por oficiais da Marinha do Brasil e não eram punidos. Já o marinheiro João Cândido, que resolveu liderar um movimento pelo cumprimento da lei, e que incluía a modernização da nossa Marinha de Guerra, foi expulso da força. Lutou pela reincorporação e não o tendo conseguido, morreu pobre, abandonado e discriminado, em 1969.

João Cândido Felisberto era filho de ex-escravos e liderou a Revolta da Chibata em 22 de novembro de 1910. O comando da nossa Marinha, formado àquela época, como ainda hoje, predominantemente por oficiais vindos da elite branca e aristocrática do país, defendia o castigo físico, como forma de punição de marinheiros, quase todos negros e mestiços.

A Revolta da Chibata tinha neste tratamento retrógrado, desumano e degradante, a mistura, o caldo de cultura para a sua eclosão. Alie-se a estes fatos a viagem de João Cândido à Inglaterra onde conheceu marinheiros russos que promoveram uma revolta reivindicando melhores condições, o que pode ter lhe inspirado.

Oficiais conservadores, com fortes princípios elitistas, de origens aristocráticas, comuns na Marinha até hoje, preocuparam-se e ainda se preocupam em ligar o nome de João Cândido ao de “”fantasma da insubordinação” e da “quebra de hierarquia”.

A “insubordinação” e a “quebra de hierarquia” foi muitas vezes “construída” para acusar os “de baixo” de algo que os “de cima” também estavam cometendo, como em 1964, quando os oficiais das Forças Armadas se insubordinaram contra o Presidente da República e derrubaram o governo legitimamente eleito pelo povo.

João Cândido que defendeu a modernização da Marinha antecipou-se em pelo menos dez anos ao surgimento do movimento tenentista, que nos anos 1920-1930, defenderia a modernização das Forças Armadas. Mas os tenentes eram oficiais e brancos, foram vistos como heróis e têm no Exército homenagens anuais.

Seu nome foi imortalizado na canção popular “Almirante Negro”, tornando-o um herói negro de origem popular. Oficialmente, apenas em 2005 seu nome foi inscrito no “Livro dos Heróis da Pátria”, no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).

Mas, João Cândido só foi realmente anistiado em 2008, sem ter sido reincorporado post mortem à Marinha. Isto mostra que sua anistia não significou qualquer direito à sua família a qualquer forma de indenização, e ele continua com a patente que tinha quando foi punido com a expulsão da corporação.

Considerando que faltam heróis negros e mestiços entre os patronos das nossas Forças Armadas, é muito triste ver como ainda temos resistências na Marinha em homenageá-lo.

Isto torna a iniciativa da Petrobrás de dar seu nome ao maior petroleiro de sua frota, ainda mais louvável.

Neste 22 de novembro de 2012, aos 102 anos da Revolta da Chibata estou levando ao deputado federal Artur Bruno (PT/CE) e ao senador José Pimentel (PT/CE) uma solicitação para que João Cândido seja reincorporado post mortem à Marinha impondo à União o pagamento dos soldos atrasados e das promoções que lhe seriam devidas, bem como a concessão de aposentadoria e pensão aos seus dependentes que a isto passarem a ter direito.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra


Foi escolhida a data de 20 de novembro, como Dia Nacional da Consciência Negra, pela Lei n.º 10.639/2003 pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Esta lei incluiu a data no calendário escolar, tornando obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira nas escolas. Com isso, os professores devem preparar aulas sobre história da África e dos africanos; luta dos negros no Brasil; cultura negra brasileira; e o negro na formação da sociedade nacional.

A data também é feriado em mais de 400 municípios, em homenagem a Zumbi dos Palmares, um dos líderes do Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, na divisa entre Alagoas e Pernambuco.

A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representou a luta do negro contra a escravidão, no período do Brasil Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo.

Importância da Data

A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.

A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão.

Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados hérois nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.

Na foto acima vemos o monumento em homenagem a Zumbi. Localizado na Praça XI de junho (data da batalha de Riachuelo), no Rio de Janeiro, onde nesta data (20 de novembro), o Afoxé Filhos de Gandhi prestam homenagens e fazem a lavagem do monumento.

Dia da Bandeira, 19 de novembro


Hoje poucos lembram. A escola já não enfatiza com os alunos o significado das datas cívicas. Hoje, ninguém nem fala, mas é o Dia da Bandeira.

O Dia da Bandeira foi criado no ano de 1889, através do Decreto-Lei N.º 4, em homenagem a este símbolo máximo da pátria. Esse decreto foi preparado por Benjamin Constant, membro do governo provisório.

Nesta data ocorrem no Brasil, diversos eventos e comemorações cívicas nas escolas, órgãos governamentais, clubes e outros locais públicos. É o momento de lembrarmos e homenagearmos o símbolo que representa nossa pátria. Estas comemorações ocorrem, geralmente, acompanhadas do Hino à Bandeira.

Este lindo hino ressalta a beleza e explica o significado da bandeira nacional. O hino à Bandeira do Brasil tem letra de Olavo Bilac e música de Francisco Braga. Foi apresentado pela primeira vez em 1906

Com o fim do período Imperial (1822-1889), a bandeira desenhada por Jean Baptiste Debret, que representava o império, foi substituída. No mesmo dia da proclamação da república (15/11/1889), foi apresentada ao povo a bandeira republicana, que imitava a bandeira dos Estados Unidos da América do Norte.

Ela tinha sete listras verdes, e seis amarelas. No alto, um quadro preto com 20 estrelas brancas, representando os 20 estados. Já no dia seguinte, no embarque da família imperial para a Europa, hasteou-se na fragata que os conduzia, esta bandeira com uma ligeira modificação. O quadro superior ao invés de preto era azul, com 21 estrelas representando os 20 estados e o Distrito Federal.

Finalmente, no dia 19 de novembro, a bandeira republicana, clara cópia da bandeira estadunidense, foi substituída pelo projeto de Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares. Ao contrário do que se ensina nas escolas, as cores verde e amarelo, segundo a historiadora Anira Campos, representam respectivamente a Casa Real Portuguesa de Bragança e a Casa Imperial Austríaca de Habsburgo, de onde provinha Lorena de Áustria, primeira mulher de D. Pedro I. Manteve-se da bandeira do Império o losango amarelo inserido no retângulo verde, de inspiração francesa. Mas no centro do losango o brasão Imperial foi substituído por uma esfera azul com estrelas brancas representando os estados e o Distrito Federal. O dístico ordem e progresso foi inspirado em frase do filósofo Augusto Comte: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”.

Esta bandeira nacional foi hasteada pela primeira vez ao meio dia de 19 de novembro de 1889, em cerimônia realizada na sede da Câmara Federal, no Rio de Janeiro.

A comemoração do dia da bandeira ocorre todos os anos no dia 19 de novembro, e determina o protocolo que ela seja hasteada ao meio dia, pois essa foi a data e a hora de instituição da bandeira nacional republicana, no ano de 1889. Nessa data ocorrem comemorações cívicas, normalmente acompanhadas do canto do Hino à Bandeira.

Ao meio-dia (12:00h) do Dia da Bandeira (19 de novembro), as bandeiras inservíveis (rasgadas, descoloridas, etc.) devem ser incineradas em cerimonial próprio, realizado pelas forças armadas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

15 de novembro, o que temos para comemorar?


O país continua ensinando a História do Brasil de forma errada aos nossos jovens. Dizem que em 15 de novembro de 1889 foi proclamada a república pelo Marechal Deodoro da Fonseca, tido como militar fiel a D. Pedro II.

Fala-se muito na participação popular, clima festivo, pressões populares. Nada disso é verdade. O marechal golpista, que um dia, ainda jovem oficial jurou defender a monarquia, o império, os poderes constituídos, o imperador, o parlamento, com a sua própria vida, na realidade traiu todos os seus princípios, deu o golpe, nomeou-se presidente da república.

O golpe não contou com apoio popular nem da elite da época. Não houve apoio político, já que no parlamento, apenas dois deputados eram republicanos. Apoio popular então era o que menos existia, tanto que os militares tiveram que se acobertar pelas sombras da noite, para embarcar a família imperial à bordo de uma fragata que os levaria à Portugal. Os militares temiam a revolta da população que poderia impedir o embarque para o exílio de D.Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina, a Princesa Isabel e o seu marido, o Conde d´Eu.

Nada houve de heroico neste trágico acontecimento. O governo dos Estados Unidos da América, que sempre apoiaram golpes militares na América Latina, enviaram navios para a nossa costa, para apoiar o golpe, em claro desrespeito e humilhação à nossa Marinha de Guerra.

Deodoro nasceu em Alagoas, numa cidade que hoje, em sua homenagem, chama-se Marechal Deodoro. Por que a homenagem a um golpista traidor? É hora de retirar o marechal dos pedestais que se ergueram em sua memória. Hora de se ensinar nas escolas, quem foi ele realmente à luz do direito. Hora de rendermos homenagens aos nossos verdadeiros heróis. Ou não os temos?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Deixem-me ser feliz, ora.


Hoje acordei e fiz algo diferente. Resolvi contar ao mundo, via “Face Book”, que estou profundamente feliz. Nem estou, SOU profundamente feliz. Dei bom dia ao povo do bem e ao povo do mal, aos vencedores e aos vencidos, não deixei escapar ninguém, queria abraçar a todos.

Atribuí tanta felicidade à minha família. Disse até que fico constrangido de ir às ruas, ostentando minha felicidade, e de repente, deparar-me com amigos e outras pessoas tão tristes, cabisbaixas, taciturnas, diante da vida que explode em emoções a cada segundo. Alguns nem falam, murmuram quase à força. Sei que deve ser difícil, mas levanta a cabeça, força um sorriso, e finge alegria...

Uma amiga virtual entrou e postou que tem uma amiga real que enterrou um filho ontem assassinado pelo maldito mundo das drogas e como ela, tem milhares de pais neste instante chorando a perda de um filho e esses não tem como fingir alegria ou forçar um sorriso. Por isso eu disse que deve ser difícil, mas conclamei: levanta a cabeça, força um sorriso, e finge alegria. É a tentativa da superação.

Troquei a vida no Rio de Janeiro, para morar no interior do Ceará. Muitos devem achar que fiz uma má troca. Foi maravilhoso. Tenho aqui a alegria, a felicidade de poder ajudar de forma mais direta os que sofrem e precisam. A miséria é grande, maior que lá.

Encontrei, como lá políticos corruptos, explorando a miséria do povo. Denunciei. Teve que devolver dinheiro aos cofres públicos. Sofri por isto, dois atentados à bala.

Entre outras coisas, fundei aqui na cidade uma unidade da Pastoral do Menor. Durante cerca de 10 anos trabalhei com crianças e adolescentes em situação de risco. Seres que a sociedade atira ao lixo. Vi passar ali, perto de três mil jovens com problemas diversos, alguns drogaditos, outros prestes a entrar no mundo das drogas, do crime, em uma estrada sem volta. Impedi esta caminhada da maioria. Hoje os vejo adultos, casados, com filhos ao colo, trabalhando e me envolvendo com um abraço agradecido.

Poucos foram os que não nos ouviram. Estes são presos pela polícia ou mortos pelo tráfico. Lamento muito por eles, mas isto não vai turvar minha felicidade, o “estar de bem com a vida”, até porque, diante daquele corpo jovem e inerte, no meio da rua, posso ver que a sociedade não fez nada por ele. Mas sei o que fiz. Sei o quanto fiz.

Fico feliz de ter feito minha parte. Agora, deixarei de ser feliz porque o perdi? Porque ele morreu? Ele fez sua opção. Fiz a minha: ajudá-lo a vencer. Perdemos. Mas estou feliz por ter feito.

Deixei a Pastoral do Menor, ligada à igreja católica, quando a pedofilia entre muitos de seus sacerdotes e auxiliares, havia passado dos limites. Optei por defender as crianças e adolescentes abusados sexualmente, mesmo tendo que lutar contra a força de uma igreja. Para isso fundei o Cedeca – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Itaitinga. Já lá se vão também uma dezena de anos. Defendendo na justiça o direito violado dos pequenos. Recebendo adolescentes infratores para o cumprimento de penas de liberdade assistida e ajudando-os a se reintegrar à sociedade que os baniu. Êxito total com a grande maioria. Poucos não nos ouvem e persistem no caminho errado. Ainda assim fico feliz por estar disponível e com saúde para ajudá-los. Se não querem ajuda, tombarão bem ali. Mas isso não me desviará do caminho, e prosseguirei em busca de outros que possam ser reencaminhados. Com a mesma alegria. Sou feliz por poder fazê-lo.

Presido em minha cidade o Conselho da Comunidade da Comarca de Itaitinga, uma entidade que acompanha a execução penal. Recebo egressos dos sistema prisional, praticantes de todos os tipos de crimes. Voltam à sociedade em regime aberto e semiaberto. Sou o primeiro a ter contato com eles para fazer um trabalho que a sociedade não quer fazer. Acompanhar a execução penal significa vigiar para que ele passe o dia trabalhando e à noite recolha-se a uma casa de egressos. E se ele não voltar? Denunciá-lo para que se faça a regressão ao sistema fechado. Perigoso? Não. É saber trabalhar, saber conversar. É mostrar que esta é minha obrigação social, e que espero não ter nada a denunciar. Faço visitas de inspeção em presídios e cadeias públicas (foto) em todo o Ceará, para que o preso tenha tratamento digno e humano. Vejo ali o pior da miséria humana. Mas entro ali e saio cada vez mais feliz, por estar fazendo a minha parte para melhorar o sistema.

Alguns, minoria, caem novamente no crime. A imprensa faz um estardalhaço tão grande que parece até que a maioria regride. Não é verdade. Passam a exigir pena de morte, para homens que cumpriram a pena e que realmente querem uma oportunidade que lhes continua sendo negada. Luto para que tenham esta oportunidade e sou feliz por fazê-lo, embora não tenha visto ainda resultados.

Bandidos engravatados, no congresso nacional, exigem a redução da idade penal para 12 anos. Conseguirão. Nossos meninos empobrecidos e negros, sem acesso à saúde, ao serviço social, ao lazer e a educação, serão presos pelo simples roubo de qualquer coisa sem valor. Mas nossos parlamentares continuarão participando de toda sorte de falcatruas e livres, porque têm dinheiro e poder. Brigo contra a redução da idade penal, mas não perco o humor. Se ela vier, teremos que conviver com ela, mas como dizia Guevara “sem perder a ternura jamais”. Estaremos felizes, porque lutaremos ainda contra este sistema perverso.

Na minha postagem feliz de hoje, a amiga termina me dizendo: “A dor não é sua, mas você chora, não só por solidariedade, às vezes pela consciência de saber que poderia ter feito alguma coisa que amenizasse e não fez." Pois é minha amiga, lamento informá-la que nunca vou chorar por saber que poderia ter feito e não fiz. Eu faço!

Sou feliz porque faço. Ando rindo à toa, mesmo quando alguns sucumbem por se utilizarem do livre arbítrio. Mas eu avisei, tentei e serei feliz sempre. Pode ser que haja alguém que faça como eu, não mais do que eu.

Então, que me desculpem, mas comecei assim o dia e vou terminá-lo assim. Desculpem por repetir, mas: "Bom dia meu povo, minha pova, gente do bem e do mal, bom dia vencedores e vencidos! Confesso que estou em um dos períodos mais felizes da minha vida. Minha família me faz assim".

Foto: Estou inspecionando alimentos na cozinha da Cadeia Pública de Quixadá – CE.

domingo, 20 de maio de 2012

A Lei Federal N.º 9.503/97 não pegou



A lei a que me refiro no título (9.503/97) é o Código de Trânsito Brasileiro que tem muitos de seus artigos servindo apenas de penduricalhos inúteis, já que muitos não os conhecem, outros simplesmente, deles não tomam conhecimento.

Um desses é a questão das vagas para idosos, gestantes e deficientes físicos. Elas são obrigatórias nas ruas, próximas a bancos, grandes lojas, farmácias, e até mesmo dentro de prédios públicos, shoppings e outras instituições.

Lamentavelmente, não é o que se vê por aí. Estive em Fortaleza, na sede da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania do Ceará – Sejus e vi, ao lado da rampa de acessibilidade para deficientes físicos, à vaga para o motorista deficiente. Ela estava ocupada por motocicletas. Virou estacionamento de motos. Onde está a cidadania?

No Supermercado Extra na Avenida Aguanambi, são muitas as vagas para os deficientes físicos, idosos e gestantes. Fiquei surpreso quando vi que todas estavam ocupadas. Aguardei e vi. Homens jovens e sem deficiências ocupavam as vagas de deficientes, as de idosos e até as de gestantes!

Por isso o meu aplauso ao deputado Antônio Bulhões/PRB-SP, que com o seu Projeto de Lei 131/11, torna infração grave (cinco pontos na carteira de habilitação) o uso indevido de vagas de estacionamento para idosos e portadores de deficiência física.

Se em Fortaleza é assim, em Itaitinga chega a ser muito engraçado. A Constituição Federal de 1988 obriga os municípios a procederem a Municipalização do Trânsito. O atual prefeito, Abdias Patrício cumpriu a determinação constitucional e fez aprovar na Câmara Municipal a lei que o municipaliza e cria o Departamento Municipal de Trânsito - Demutran.

Embora criado há mais de um ano, o Demutran nunca saiu do papel. Consequentemente não há nas ruas qualquer sinalização, horizontal ou vertical que defina vagas para gestantes, idosos e deficientes físicos, nas proximidades de igrejas, mercado público, farmácias. Muito menos nas empresas privadas como os supermercados. Mais grave é sua ausência em prédios públicos como o Paço Municipal, as secretarias e o hospital municipal. Ausências injustificáveis.

Bom que a Lei fosse cumprida e que a fiscalização fosse muito rigorosa. Da maneira que está realmente não pode continuar. É uma vergonha para todos nós, visualizarmos uma foto como esta acima.

domingo, 13 de maio de 2012

Dia das Mães


Mãe é a mulher que gera e dá à luz um filho, mas também pode ser aquela que cria um ente querido como se fosse sua geradora, dando-lhe carinho e proteção. As mães merecem respeito e muito amor de seus filhos, pois fazem tudo para agradá-los, sofrem com seus sofrimentos e querem que estes estejam sempre bem.

Neste dia das mães, o sítio eletrônico VERDENOVO quer homenagear todas as mães que visitam nossas páginas, na pessoa de Anatalice Cavalcanti, membro de nossa equipe e presidenta do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Itaitinga – Cedeca (CNPJ 05.552.267/0001-05).

Anatalice, guerreira que tanto tem lutado nesta cidade em defesa dos direitos humanos, destacou-se principalmente, e é reconhecida nas ruas, pela luta em defesa de crianças e adolescentes, com direitos violados, abraçando no Cedeca, onde hoje é a presidenta, cada uma das crianças e adolescentes como se fossem seus filhos. Hoje, com dois filhos biológicos, dezenas de afilhados e centenas de “filhos do Cedeca” Anatalice, ou Ana como é mais conhecida, sente-se realizada, mas considera que não pode parar. Sente que os jovens estão cada vez mais necessitados de quem faça o trabalho de acompanhamento que ela sempre fez, e que hoje, cada vez menos gente está disposta a fazer de forma voluntária e desprendida.

Quando nossa equipe hoje a abraça e cobre de carinho, ela diz que compartilha tudo isso com todas as mães de Itaitinga.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Seca


A seca por aqui atingiu quem não podia ser atingido. Os agricultores, no interior. Para quem mora na capital, região metropolitana, e litoral, portanto não vive de agricultura, até que tem chovido bastante, ou seja, está chovendo no lugar errado.

Aqui, na minha cidade, acordei ontem as 8 horas e parecia noite. Chovera a madrugada toda, ainda chovia muito, tempo nublado, com nuvens muito carregadas e escuras. Vi no meu pluviômetro que chovera 52 mm e a temperatura na minha varanda era de 24º C, frio para nossa região nesta época.

Ao sair deparei-me com uma cidade um tanto vazia, poucas pessoas nas ruas, muito agasalhadas, com seus guarda-chuvas. Chegando a BR 116, vi muito trânsito em direção a Fortaleza, o povo indo trabalhar. Veículos com faróis acesos, trânsito lento, limpadores de para-brisa sem dar conta de seu trabalho, vidros embaçados.

Demorei a chegar a Fortaleza. Lá encontrei o caos. Ruas e avenidas alagadas, semáforos apagados, trânsito parado, bueiros abertos, muitos pequenos acidentes. E o povo insiste em morar em grandes cidades, com suas ruas impermeabilizadas pelo asfalto, que gera um calor insuportável quando faz sol e alaga tudo quando chove.

Retornei a noite, cansado, encontrei um céu limpo uma lua crescente, quase cheia, a alegria de estar de novo em casa, indescritível.

Viva minha cidadezinha, onde posso viver em um pequeno sítio ao pé da serra.

domingo, 15 de abril de 2012

Presidenta Dilma, nossa governanta


Volta a circular na net o mesmo velho e-mail que agride de forma vazia e até burlesca a imagem de "SUA EXCELÊNCIA, A SENHORA PRESIDENTA DILMA" como fazem questão de citá-la no e-mail.

No texto atribui-se ao Sr Hélio Fontes, talvez ele seja um “fake” e nem exista, a iniciativa de repudiar o termo PRESIDENTA, como se fora errado, alegando até que o Aurélio estaria se remoendo no túmulo. Não estava, Sr. Hélio Fontes, mas deve estar agora, depois que seu e-mail circulou na net com tanta bizarrice.

Mas já que foi sugerido vamos consultar o dito Aurélio:

PRESIDENTA – S. f. 1. Mulher que preside. 2. Mulher de um presidente

Mas não fiquemos apenas aí, consultemos também o Aulete e teremos consultado os dois maiores dicionários de português brasileiro.

PRESIDENTA - s. f. (fam.) || mulher que preside; esposa de um presidente. F. Presidente.

Mas o Sr. Hélio Fontes e quem quer segui-lo não para por aí. No campo ASSUNTO do e-mail chamam a presidenta de GOVERNANTA. Antes de tudo é querer rebaixá-la socialmente em claro desrespeito à categoria das governantas (trabalhadoras domésticas). Isso é crime de discriminação.

Mas aí, o Sr. Hélio Fontes, por conhecer pouco ou quase nada a língua portuguesa, errou novamente. A PRESIDENTA Dilma é a nossa GOVERNANTA, sim!. Vejamos novamente nossos principais dicionários:

No Aurélio:

GOVERNANTE – Adj. 2 g. e s.1. Que ou quem governa. S.f.2. Governanta.

No Aulete:

GOVERNANTA - sf.
1 Mulher que administra, ger. como profissional, a casa alheia.
2 Mulher encarregada da educação das crianças.
[F.: Fem. subst. de governante.]

Então afirmar que a presidenta Dilma é nossa governanta, realmente é falar um português correto, para homenagear quem foi eleita com 59% de aprovação popular e que hoje, dois anos depois está com 77%.

Deus salve a PRESIDENTA DILMA, nossa querida GOVERNANTA.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Insegurança e medo nas ruas de Itaitinga


Nesta semana, após mais um violento homicídio, ouvi um jovem afirmar que “os homicídios são tão constantes na cidade que viraram fatos banais”.

E o jovem prossegue afirmando que “Mata-se alguém, o povo sai das pizzarias, das lanchonetes, vai ver o corpo e volta para as pizzarias e lanchonetes, onde continuam a se divertir alegremente, sem falar mais no assunto.” Ninguém esboça revolta ou indignação.

Novamente o teatro na cena do crime. Viaturas da 3ª Cia. do 6º BPM e viaturas do Ronda do Quarteirão, são os primeiros a chegar, isolam a área e guardam o corpo. Chega a imprensa, as viaturas do Cotam ou CPC, da Homicídios, da Perícia Forense, e finalmente o rabecão do Instituto Médico Legal - IML.

Todos têm seu próprio ritual neste palco. Da imprensa, há um repórter de programa policial, ansiosamente aguardado pelo povo que comemora sua chegada com cochichos denotando felicidade. Com uma capa preta em gestos teatralescos e ensaiados se prepara para entrar em cena. Crianças e adolescentes correm, se empurram para se colocar atrás dele, defronte ao corpo. Ao sinal de “gravando” o homem começa a narrar a tragédia enquanto atrás dele, a criançada se anima, se empurra, pula, sorri, e acena para as câmaras em total felicidade por estarem aparecendo na TV. Seus pais, que nem de longe imaginam que amanhã a vítima poderá ser um dos seus filhos, não se incomodam com o fato.

Nas entrevistas, policiais afirmam categoricamente que a vítima tinha envolvimento com drogas. Assim, sem nenhuma investigação mais profunda. Dizem ainda que as investigações prosseguirão. Que investigações? Quando apresentaram algum autor destes crimes? O fato é que levado o corpo para o IML, parece que as investigações estão concluídas, e não se fala mais nisso até o próximo homicídio que pode ocorrer no dia seguinte, ou daí a uma semana.

Vidas jovens que se vão precocemente. Estatísticas da Organização das Nações Unidas – ONU mostram que quanto maior o tempo de estudo de um cidadão, maiores são as suas chances de conseguir bom emprego e, portanto, maiores são as suas chances de se afastarem da criminalidade. Levar os municípios a investir em educação é a tábua de salvação para aqueles jovenzinhos que hoje acenam para as câmaras, por trás do repórter policial fantasiado.

Mas quando falamos em insegurança na cidade, não podemos nos restringir somente a este aspecto. E as fugas dos presídios? A última foi da Casa de Privação Provisória de Liberdade Prof. Jucá Neto – CPPL III. Fugas cinematográficas com a presença de viaturas de todas as polícias que temos, Cotam, Ronda, CPC, Gate, Canil e helicópteros, que fazem um grande show, onde quase sempre não se observam resultados. Uma vez ou outra, fugitivos são imediatamente recapturados ou mortos, soldados são baleados, mas invariavelmente, a população assombrada, se esconde em casa, onde não estão mais seguros do que nas ruas.

Começam a acontecer sequestros e saidinhas bancárias. E para que a sociedade se oponha a tudo isso, temos um policiamento ostensivo que conta com o grande esforço e boa vontade do Sub-Ten. PM Wellington e um total de 17 homens que trabalham por vocação, por esforço pessoal, pois o estado não lhes dá a menor condição de realizar um bom trabalho. Como não dá ao povo a segurança e a satisfação que os altos impostos recolhidos deveriam propiciar.

O Estado, através de sua Secretaria de Segurança Pública, coloca em Itaitinga, um município com mais de 35 mil habitantes, com 155 Km², apenas três viaturas e 17 homens, parte dos quais está trabalhando enquanto a outra parte encontra-se na escala de folga. Como se faz segurança pública assim?

Mais bizarra é a situação das delegacias. Seria cômica, se não fosse tão trágica a situação. As delegacias fecham aos sábados, domingos e feriados. Ontem, quinta-feira, 05/04/12, não era feriado, mas a Delegacia Metropolitana de Itaitinga estava fechada. Será que agora fechará sempre às vésperas de feriados? Quando dizemos fechada, significa que há apenas um único policial para tomar conta dos presos, sem delegado, sem escrivão, sem agentes. Não se registra um simples B.O. A orientação dada pelo atencioso e educado policial (pelo menos isso) era de que para o registro de um B.O. o cidadão teria que ir a Chorozinho percorrendo 100 Km de estrada para ida e volta e submetendo-se lá a intermináveis filas, na única delegacia de plantão em uma área imensa.

Até quando o Governo do Estado do Ceará vai continuar tratando tão mal seus servidores, professores, agentes penitenciários, policiais civis e militares, sem lhes dar melhores condições de trabalho e de salário? Tratá-los mal, é manter a população longe da educação, da saúde e da segurança pública. Isso precisa mudar!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Futebol no Ceará e no Brasil


Em primeiro lugar, que fique bem claro: Não gosto de futebol. Pelo menos deste futebol que se pratica atualmente, onde os jogadores ganham altíssimos salários e jogam de salto alto. Ganham fama e dinheiro, sem estarem preparados para isso, compram carrões, se envolvem em acidentes, completamente bêbados, se envolvem com drogas, com o crime organizado e com travestis em grandes farras em motéis.

Não entendo o futebol cearense. Tínhamos dois times. O resto era o resto. Somente dois tinham chances de chegar às finais, disputando o campeonato cearense. Eram o Fortaleza e o Ceará. As torcidas se digladiavam. O Fortaleza caiu para a série C e agora caiu o Ceará para a B. Não temos mais nenhum time na primeira divisão. Acabou-se o futebol cearense. O Fortaleza, se não subir rápido vai se acabar, porque o que ele fatura na série C não dá para pagar seus compromissos mensais. Pensando nisso, sempre achei que os times tinham que se ajudar. As torcidas, também. A torcida do Fortaleza deveria agora ter ajudado o Ceará para não cair. A torcida do Ceará deveria ajudar a do Fortaleza a subir. Somente com os dois times na primeira divisão, com os grandes clássicos e estádio cheio, haverá renda para sustentar os dois times. Eles não enxergam isso.

E vem aí a Copa do mundo de 2014. A Fifa está dando as ordens e o Brasil, põe a viola no saco e obedece. O Congresso Nacional pasmem, o Congresso Nacional aprovou uma alteração no Estatuto do Torcedor, lei federal, para permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, que estava proibida. Mas a Fifa quer ver todo mundo bêbado, dirigindo ao sair e matando gente por atropelamentos. O nosso congresso nacional já se submeteu à vontade da Fifa e já modificou o Estatuto do Torcedor. Lamentável. Só falta dar um três oitão para cada um, na porta do estádio.

Outra lei que nossos congressistas tiveram que mudar às pressas foi a lei que instituiu a meia passagem e a meia cultural que concede a estudantes a meia entrada em espetáculos, inclusive nos estádios. Não apenas os estudantes são beneficiados, mas também os idosos, indígenas e portadores de necessidades especiais. Todos perdem, pois depois de muita negociação a Fifa aceitou um acordo com o governo brasileiro, pelo qual em três milhões de ingressos, apenas 300 mil serão vendidos pelo preço da meia.

Romário já denunciou que 80% dos ingressos foram vendidos para um só cidadão mexicano. É o maior cambista internacional. Um cidadão japonês comprou 5% e assim todos os ingressos já foram vendidos.

Triste, lamentável, mas é verdade. A Fifa tem travado uma queda de braço com o governo brasileiro e vem ganhando todas. Resta ver quem ganharia no ranking da corrupção: Brasil ou Fifa?